Na pressão por cargos, PMDB agora ameaça rejeitar mínimo de R$ 540
Atitude é clara retaliação ao governo por perda de cargos estratégicos no segundo escalão.
Três dias depois do início do governo, o PMDB do vice-presidente Michel Temer tenta encurralar a presidente Dilma Rousseff. Insatisfeito com os avanços do PT sobre os cargos do segundo escalão com orçamentos bilionários, antes controlados pelo partido, o PMDB anunciou que iniciará a retaliação pela votação do novo salário mínimo. O governo quer mantê-lo em R$ 540; o PMDB quer mais.
Um eventual aumento do salário mínimo provocará um estrago nas contas do governo. No último dia como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva editou medida provisória fixando o mínimo em R$ 540. De acordo com o Ministério do Planejamento, cada real representa um aumento de R$ 286,4 milhões no Orçamento. Mas a elevação do valor não significa só o impacto nas contas públicas. Se o PMDB comandar uma operação de reajuste, estará ameaçando logo no início do governo a política de austeridade fiscal pregada por Dilma.
Alvo. Porta-voz da revolta dos peemedebistas, o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN) – até agora uma espécie de alvo dos petistas na maioria das rasteiras levadas pelo PMDB no preenchimento dos cargos – anunciou nesta terça-feira, 3, depois de uma reunião com Temer e com os senadores José Sarney (AP), presidente do Senado, e Valdir Raupp (RO), presidente interino do PMDB, que o partido quer saber por que o governo chegou ao valor de R$ 540. Disse que poderá ser maior e levou o pleito ao ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. “O Congresso existe para melhorar as propostas, não só para carimbá-las.”
O PMDB programou uma reunião ontem à noite com ministros e as lideranças do partido, em Brasília, na casa da governadora Roseana Sarney(MA).
Antevendo a crise, Dilma já havia convocado Temer e Sarney a ajudá-la. Ao mesmo tempo, Palocci telefonava a peemedebistas para dizer que o PMDB terá postos no segundo escalão equivalentes aos que perdeu na Saúde e nos Correios.
Ainda na noite de segunda-feira, Temer aproveitou a primeira reunião da coordenação política do governo para pedir a Dilma que adiasse a escolha dos cargos do segundo escalão para depois da eleição das Mesas da Câmara e do Senado, em 1.º de fevereiro, como revelou o Estado. A intenção era evitar que a crise contaminasse as votações. Dilma acatou as ponderações. No dia seguinte, no entanto, o PMDB apresentou a primeira cobrança à presidente, por um mínimo maior.
Recados. A reação no Planalto, de acordo com assessores de Dilma, foi de estupefação. Depois de uma conversa com Palocci, Dilma foi aconselhada a manter o diálogo e esperar pela posse do novo Congresso, com renovação de cerca de 50% das cadeiras. A presidente, no entanto, mandou recados ao PMDB por intermédio do ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Se vier algo diferente disso (R$ 540), vamos simplesmente vetar”, disse. “Um aumento acima disso pode provocar expectativas negativas, até mesmo de inflação”, acrescentou. Mantega afirmou ainda que um valor maior deterioraria as contas públicas.
Fonte:http://www.blogdomarcelo.com.br
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