terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Ex-morador de rua, "Tá Danado" faz preparação para luta no UFC em Salvador

De convite em convite, o hoje lutador de MMA Carlos Eduardo Rocha, de 28 anos, tem dado guinadas radicais na vida, desde a época em que, aos 11 anos, perambulava sem destino pela por Fortaleza como menino de rua.
O primeiro convite tirou “Tá Danado” (apelido pelo qual é conhecido nos ringues) das ruas para o projeto social Pequeno Samurai. O próprio lutador confessa ter atendido o chamado de um amigo pela possibilidade de matar a fome e escapar do desconforto de dormir debaixo de viadutos.
Lutador passou dois meses treinando em Salvador, visando preparação para luta em fevereiro no UFC
Lutador passou dois meses treinando em Salvador, visando preparação para luta em fevereiro no UFC
“Pensei: lá no projeto tem comida e dormida”, disse Carlos, que na última segunda, 10, estava em Salvador, após encerrar quase dois meses de treinos na Academia Edson Carvalho. A preparação visa à luta do dia 5 de fevereiro em Las Vegas, nos Estados Unidos, com transmissão pelo Combate.
Tá Danado, com um cartel de 9 lutas na categoria 77 kg, todas  vitoriosas, fará parte do Card Principal contra o americano Jack Elemberg. O adversário tem 28 lutas e cinco derrotas. “Daqui vou para os Estados Unidos, continuar a preparação para a luta da UFC”, explicou.

Projeto Social - A movimentação da garotada do projeto social Construindo Sonhos, mantida pela academia na qual treinou até a última segunda, 10, o fez resgatar a época em que começou. Então um menino de 11 anos, Tá Danado lembra ter atraído a atenção do exterior ao se destacar nos ringues. 
Contato com os iniciantes em Salvador fez lutador lembrar período quando deixou a rua. Foto: Fernando Amorim/ Ag. A Tarde
“Como não tinha família, um amigo alemão do meu mestre me fez o convite para ir treinar e morar na Alemanha”, contou. A troca do Brasil pela Alemanha, seu endereço nos últimos 4 anos como lutador internacional, acelerou o progresso financeiro do ex-morador de rua, que tem casa própria em Hamburgo.

Hoje, ele diz estar com situação financeira estável. Para a luta em Las Vegas, a bolsa prevista é  de US$ 15 mil.

Frio de 26 graus - Praticamente adaptado ao clima europeu, Tá Danado sentiu na pele o calor de Salvador. Ele reclama, mas não tanto quanto da temperatura na Alemanha. “Já peguei um frio de 26 graus negativos lá. Quase morro”, contou.

Para o professor Bruno Carvalho, faixa-preta 2º dan em jiu-jitsu, o ponto forte de Tá Danado é o jiu-jitsu. Justamente o tipo de luta que o americano não domina os fundamentos.
nformações sobre Tá Danado:

Tá Danado: luta pela Categoria 77 kg. Estreou no card preliminar UFC em novembro de 2010. Agora vai estrear no principal, em Las Vegas, que terá a luta de Vítor Belford contra Anderson da Silva

Cartel: Nove lutas, nove vitórias, todas por finalização antes do tempo de luta

Jack Elemberg:  Adversário americano tem um cartel de 28 lutas e cinco derrotas

Estilos: No combate que mistura artes marciais como jiu-jitsu e boxe, Tá Danado é forte no jiu-jitsu e Elemberg, na luta greco-romana

Entrevista com o lutador“Tá Danado”

De onde vem esse apelido?
Tá Danado? Porque eu nunca ficava quieto. Aos 8 anos, minha avó que me criava morreu e fui morar nas ruas de João Pessoa. Nasci lá e fui pegando carona de ônibus. Dizia que tava procurando minha mãe e me levavam. De Natal fui parar no Ceará.

Quais as lembranças difíceis?
Não tive contato com meus pais. Morei com minha avó até os 8 anos e quando ela morreu de câncer, saí. Passei fome. Revirei lixo. Já dormi num buraco de areia. Convivi com o mundo das drogas, mas não quis me envolver.

Como um menino de 8 anos se virava nas ruas?
Não fiquei pedindo. Chegava e pedia a pessoa para lavar o carro e ganhar  o dinheiro.

Você disse que fez faculdade?
Meu dinheiro, que ganhava nas lutas, já no projeto social, eu guardava para os estudos. Fiz a faculdade de educação física em Fortaleza.

Ah, como você se vira com o alemão?
Tenho quatro anos morando lá. Falo fluentemente o idioma deles e escrevo. Eu estudo, me esforço. Daqui há seis meses recebo cidadania alemã.

Você disse que não tem família? Pensa nisso ou os sofrimentos da infância o fazem descartar a possibilidade?
Penso em casar. Agora não, por que tenho compromissos a cumprir. Mas penso em ter filho. Quero dar atenção a ele. Ter a família que não tive.


Aurélio Lima, de A TARDE


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