De convite em convite, o hoje lutador de MMA Carlos Eduardo Rocha, de 28 anos, tem dado guinadas radicais na vida, desde a época em que, aos 11 anos, perambulava sem destino pela por Fortaleza como menino de rua.
O primeiro convite tirou “Tá Danado” (apelido pelo qual é conhecido nos ringues) das ruas para o projeto social Pequeno Samurai. O próprio lutador confessa ter atendido o chamado de um amigo pela possibilidade de matar a fome e escapar do desconforto de dormir debaixo de viadutos.
| Lutador passou dois meses treinando em Salvador, visando preparação para luta em fevereiro no UFC |
“Pensei: lá no projeto tem comida e dormida”, disse Carlos, que na última segunda, 10, estava em Salvador, após encerrar quase dois meses de treinos na Academia Edson Carvalho. A preparação visa à luta do dia 5 de fevereiro em Las Vegas, nos Estados Unidos, com transmissão pelo Combate.
Tá Danado, com um cartel de 9 lutas na categoria 77 kg, todas vitoriosas, fará parte do Card Principal contra o americano Jack Elemberg. O adversário tem 28 lutas e cinco derrotas. “Daqui vou para os Estados Unidos, continuar a preparação para a luta da UFC”, explicou.
Projeto Social - A movimentação da garotada do projeto social Construindo Sonhos, mantida pela academia na qual treinou até a última segunda, 10, o fez resgatar a época em que começou. Então um menino de 11 anos, Tá Danado lembra ter atraído a atenção do exterior ao se destacar nos ringues.
Projeto Social - A movimentação da garotada do projeto social Construindo Sonhos, mantida pela academia na qual treinou até a última segunda, 10, o fez resgatar a época em que começou. Então um menino de 11 anos, Tá Danado lembra ter atraído a atenção do exterior ao se destacar nos ringues.
Contato com os iniciantes em Salvador fez lutador lembrar período quando deixou a rua. Foto: Fernando Amorim/ Ag. A Tarde
“Como não tinha família, um amigo alemão do meu mestre me fez o convite para ir treinar e morar na Alemanha”, contou. A troca do Brasil pela Alemanha, seu endereço nos últimos 4 anos como lutador internacional, acelerou o progresso financeiro do ex-morador de rua, que tem casa própria em Hamburgo.
Hoje, ele diz estar com situação financeira estável. Para a luta em Las Vegas, a bolsa prevista é de US$ 15 mil.
Frio de 26 graus - Praticamente adaptado ao clima europeu, Tá Danado sentiu na pele o calor de Salvador. Ele reclama, mas não tanto quanto da temperatura na Alemanha. “Já peguei um frio de 26 graus negativos lá. Quase morro”, contou.
Para o professor Bruno Carvalho, faixa-preta 2º dan em jiu-jitsu, o ponto forte de Tá Danado é o jiu-jitsu. Justamente o tipo de luta que o americano não domina os fundamentos.
Hoje, ele diz estar com situação financeira estável. Para a luta em Las Vegas, a bolsa prevista é de US$ 15 mil.
Frio de 26 graus - Praticamente adaptado ao clima europeu, Tá Danado sentiu na pele o calor de Salvador. Ele reclama, mas não tanto quanto da temperatura na Alemanha. “Já peguei um frio de 26 graus negativos lá. Quase morro”, contou.
Para o professor Bruno Carvalho, faixa-preta 2º dan em jiu-jitsu, o ponto forte de Tá Danado é o jiu-jitsu. Justamente o tipo de luta que o americano não domina os fundamentos.
nformações sobre Tá Danado:
Tá Danado: luta pela Categoria 77 kg. Estreou no card preliminar UFC em novembro de 2010. Agora vai estrear no principal, em Las Vegas, que terá a luta de Vítor Belford contra Anderson da Silva
Cartel: Nove lutas, nove vitórias, todas por finalização antes do tempo de luta
Jack Elemberg: Adversário americano tem um cartel de 28 lutas e cinco derrotas
Estilos: No combate que mistura artes marciais como jiu-jitsu e boxe, Tá Danado é forte no jiu-jitsu e Elemberg, na luta greco-romana
Entrevista com o lutador“Tá Danado”
De onde vem esse apelido?
Tá Danado? Porque eu nunca ficava quieto. Aos 8 anos, minha avó que me criava morreu e fui morar nas ruas de João Pessoa. Nasci lá e fui pegando carona de ônibus. Dizia que tava procurando minha mãe e me levavam. De Natal fui parar no Ceará.
Quais as lembranças difíceis?
Não tive contato com meus pais. Morei com minha avó até os 8 anos e quando ela morreu de câncer, saí. Passei fome. Revirei lixo. Já dormi num buraco de areia. Convivi com o mundo das drogas, mas não quis me envolver.
Como um menino de 8 anos se virava nas ruas?
Não fiquei pedindo. Chegava e pedia a pessoa para lavar o carro e ganhar o dinheiro.
Você disse que fez faculdade?
Meu dinheiro, que ganhava nas lutas, já no projeto social, eu guardava para os estudos. Fiz a faculdade de educação física em Fortaleza.
Ah, como você se vira com o alemão?
Tenho quatro anos morando lá. Falo fluentemente o idioma deles e escrevo. Eu estudo, me esforço. Daqui há seis meses recebo cidadania alemã.
Você disse que não tem família? Pensa nisso ou os sofrimentos da infância o fazem descartar a possibilidade?
Penso em casar. Agora não, por que tenho compromissos a cumprir. Mas penso em ter filho. Quero dar atenção a ele. Ter a família que não tive.
Tá Danado: luta pela Categoria 77 kg. Estreou no card preliminar UFC em novembro de 2010. Agora vai estrear no principal, em Las Vegas, que terá a luta de Vítor Belford contra Anderson da Silva
Cartel: Nove lutas, nove vitórias, todas por finalização antes do tempo de luta
Jack Elemberg: Adversário americano tem um cartel de 28 lutas e cinco derrotas
Estilos: No combate que mistura artes marciais como jiu-jitsu e boxe, Tá Danado é forte no jiu-jitsu e Elemberg, na luta greco-romana
Entrevista com o lutador“Tá Danado”
De onde vem esse apelido?
Tá Danado? Porque eu nunca ficava quieto. Aos 8 anos, minha avó que me criava morreu e fui morar nas ruas de João Pessoa. Nasci lá e fui pegando carona de ônibus. Dizia que tava procurando minha mãe e me levavam. De Natal fui parar no Ceará.
Quais as lembranças difíceis?
Não tive contato com meus pais. Morei com minha avó até os 8 anos e quando ela morreu de câncer, saí. Passei fome. Revirei lixo. Já dormi num buraco de areia. Convivi com o mundo das drogas, mas não quis me envolver.
Como um menino de 8 anos se virava nas ruas?
Não fiquei pedindo. Chegava e pedia a pessoa para lavar o carro e ganhar o dinheiro.
Você disse que fez faculdade?
Meu dinheiro, que ganhava nas lutas, já no projeto social, eu guardava para os estudos. Fiz a faculdade de educação física em Fortaleza.
Ah, como você se vira com o alemão?
Tenho quatro anos morando lá. Falo fluentemente o idioma deles e escrevo. Eu estudo, me esforço. Daqui há seis meses recebo cidadania alemã.
Você disse que não tem família? Pensa nisso ou os sofrimentos da infância o fazem descartar a possibilidade?
Penso em casar. Agora não, por que tenho compromissos a cumprir. Mas penso em ter filho. Quero dar atenção a ele. Ter a família que não tive.
Aurélio Lima, de A TARDE
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